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Governo admite aumentar imposto para atingir meta

DATA: 29/06/2017

O governo federal vai cumprir a meta fiscal fixada para este ano e 2018, mesmo que, para isso, tenha que elevar impostos, informou ao Valor uma fonte credenciada do Planalto. No elenco de tributos analisados, a equipe econômica admite a possibilidade de aumentar a alíquota da Cide sobre a gasolina e os demais derivados do petróleo, mas o mais provável é a elevação do PIS e da Cofins sobre esses produtos.

Ao participar ontem, em São Paulo, de evento promovido pelo Citibank, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, confirmou que pode haver elevação de impostos. "Por enquanto, ainda não há decisão sobre aumento da Cide. Gosto de anunciar as coisas quando há uma decisão tomada. Sempre dissemos que iríamos aumentar imposto se fosse necessário e repito isso agora, de forma mais pertinente", disse o ministro.

Os técnicos consideram que mudar a meta deste ano, aumentando o déficit primário previsto, de R$ 142 bilhões, daria um sinal muito negativo ao mercado, principalmente neste momento de agravamento da crise política. Elevar o déficit do próximo ano - que é apenas R$ 10 bilhões inferior ao projetado para 2017 - seria também uma sinalização de que o governo não está efetivamente empenhado em fazer o ajuste fiscal necessário ao equilíbrio das contas públicas.

Essa avaliação foi passada ao relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2018, deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), que quis saber dos ministros Henrique Meirelles e Dyogo de Oliveira (Planejamento) se a meta fiscal para o próximo ano seria mantida, mesmo com a piora das expectativas do mercado para a economia, decorrente da intensificação da crise política.

Ontem, Meirelles revisou para baixo a estimativa de expansão da economia para o último trimestre do ano, em relação ao mesmo período de 2016. Ele acreditava que o Brasil cresceria 2,7% nos últimos três meses de 2017, mas agora a expansão deverá ficar um pouco acima de 2%. Para o ano, o ministro disse que o crescimento deverá ser inferior a 0,5%, mas ainda acima de zero.

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