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Veja quanto rendem R$ 5 mil com a Selic em 10,25% ao ano

DATA: 01/06/2017

Com corte, poupança continua a render menos em comparação a outras aplicações conservadoras, como fundos de renda fixa.

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu, nesta quarta-feira (31), diminuir a taxa básica de juros da economia em 1 ponto percentual. Com o corte, a Selic passou de 11,25% para 10,25% ao ano. Essa foi a sexta redução consecutiva da taxa básica de juros.

A intensidade do corte não surpreendeu economistas, que esperavam por uma manutenção do ritmo da queda neste mês, após as denúncias contra Temer reduzirem as expectativas sobre uma recuperação rápida da economia, já que tornou mais difícil o caminho para aprovação de reformas, como a da Previdência. Antes da divulgação da delação feita por executivos da JBS, os economistas apostavam em um corte maior, que poderia chegar a 1,25 ponto porcentual.

Com a queda da Selic, a poupança continua rendendo menos do que outras aplicações conservadoras. Contudo, a diferença na rentabilidade que o investidor tem ao deixar o dinheiro aplicado na caderneta, em um CDB ou fundo de renda fixa com taxa de 1% ao ano é de apenas 0,27 ponto porcentual, em um período de seis meses. Para prazos mais longos, a diferença aumenta.

Ou seja, o nível ainda alto dos juros mantém rentáveis os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) com taxas pós-fixadas, os Fundos DI (que agora têm nova nomenclatura) e o Tesouro Selic, título público negociado pelo Tesouro Direto que paga ao investidor a variação da taxa básica de juros.

Essas três opções têm seu rendimento atrelado à taxa Selic ou à taxa DI (CDI), que é bem próxima ao patamar do juro básico. Já o retorno da poupança só fica atrelado à Selic quando ela é menor ou igual a 8,5% ao ano.

Pela regra atual, a caderneta rende 70% da taxa Selic mais a Taxa Referencial (TR) quando a taxa básica é inferior ou igual a 8,5% ao ano e, quando a taxa é maior do que 8,5%, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês mais a TR.

Veja abaixo quanto seria o valor final da aplicação de 5 mil reais na poupança, no CDB, no fundo DI e no Tesouro Selic em diferentes prazos. Os cálculos foram feitos pelo professor Michael Viriato, coordenador do Laboratório de Finanças do Insper.

Período

Poupança*

CDB 90% do CDI**

Fundo DI com taxa de 1% ao ano**

Tesouro Selic****

6 meses

R$ 5.167,20

R$ 5.173,63

R$ 5.173,87

R$ 5.183,60

12 meses

R$ 5.340,00

R$ 5.364,68

R$ 5.365,20

R$ 5.386,00

18 meses

R$ 5.518,57

R$ 5.574,59

R$ 5.575,43

R$ 5.608,82

24 meses

R$ 5.703,12

R$ 5.804,97

R$ 5.806,16

R$ 5.853,89

30 meses

R$ 5.893,84

R$ 6.025,70

R$ 6.027,25

R$ 6.089,24

* A TR considerada foi de 2,5% ao ano. Não há desconto de Imposto de Renda nesta aplicação.
** Taxa DI considerada foi de 10,38% ao ano. 
*** Houve desconto de uma taxa de 0,5% (CBLC + corretagem) e de Imposto de Renda: 22,5% na simulação para 6 meses, 20% na simulação para 12 meses, 17,50% na simulação para 18 meses e 15% nas simulações para 24 e 30 meses.

Os valores já descontam o Imposto de Renda, que é cobrado em todas as aplicações. A exceção é a poupança, que é isenta do tributo.

Nas outras aplicações, para resgates em até 180 dias a alíquota do imposto é de 22,5%; de 181 dias a 360 dias o imposto cai para 20%; de 361 dias a 720 dias vai para 17,5%; e acima de 721 dias é aplicada a menor alíquota, de 15%, de acordo com a tabela regressiva do IR.

Ainda que a poupança seja livre de Imposto de Renda, as simulações feitas acima mostram que as rentabilidades do CDB, fundo DI e Tesouro Selic são maiores do que a da poupança em qualquer prazo, ainda que a distância entre os rendimentos tenha diminuído apos os cortes sucessivos da Selic.

As simulações consideram taxas de administração e de remuneração normalmente praticadas no mercado, mas vale ressaltar que se as taxas forem superiores às usadas nos cálculos e as remunerações forem menores, alguns investimentos podem perder da poupança. É o caso de fundos de renda fixa nos quais sejam cobradas taxas de administração de 1,5 %..

É importante lembrar que, com a mudança nas regras de classificação dos fundos promovida pela Anbima (associação de entidades de mercado) em 2015, os fundos DI deixaram de ter uma denominação própria. Desde então, estas aplicações foram incorporadas à classe de fundos de renda fixa.

As próprias gestoras puderam determinar para qual subcategoria os fundos DI iriam —a maioria foi para “Fundos de Renda Fixa Duração Baixa Soberano” ou “Fundo de Renda Fixa Duração Baixa Grau de Investimento”.

De todo modo, como os fundos que acompanham os juros continuam a ser chamados de fundos DI no mercado, o levantamento também manteve a nomenclatura. É preciso que o investidor consulte a estratégia de cada produto para checar se, de fato, trata-se de um fundo que acompanha a flutuação do CDI.

Quanto ao Tesouro Selic, deve-se considerar que, ao comprar qualquer título público, o investidor paga uma taxa de custódia de 0,3% ao ano para a bolsa de valores, não importa a corretora escolhida.

Ele também pode ter de pagar um valor de corretagem, de até 2% ao ano, dependendo da instituição financeira. Algumas delas não cobram essa taxa. Veja no site do Tesouro Direto os preços cobrados por cada corretora.

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